Artigo: Comunicação em tempos de Covid-19

Como criar conversas relevantes para a reputação das empresas?

em 14/04/2020

Artigo: Comunicação em tempos de Covid-19

Por Iuri Campos*

Em tempos de coronavírus, é fundamental que todos se mobilizem em prol de soluções para os tantos desafios impostos pela pandemia. E isso inclui as empresas. Pelo menos é o que considera pouco mais da metade dos entrevistados no levantamento feito pela plataforma MindMiners, sobre a percepção das pessoas em relação à atitude das marcas durante o momento de crise vivenciado em todo o mundo. E para além da ação existe um outro grande desafio: Qual é a melhor forma de comunicar? 

A comunicação é uma ferramenta imprescindível para a reputação de uma marca e, segundo o autor do livro “Gestão da Marca e Reputação Corporativa”, Dario Menezes, vivemos em uma economia onde percepções definem valor, logo, a reputação é um dos principais ativos de uma empresa. Ou seja, assim como Dario afirmou no último Aquário da Casa Firjan, a forma como as organizações estão se posicionando diante da pandemia está formando a percepção do público e vai refletir como elas serão lembradas no futuro.  

Além disso, as empresas que estão pautando as conversas, principalmente nas redes sociais, vão ficar marcadas na cabeça das pessoas durante muito tempo. E nesse sentido, assim como mostra uma pesquisa da Youpix com a Brunch, lançada agora em março, é preciso entender como os algoritmos das redes vão se comportar neste momento. A tendência, segundo o relatório, é que conteúdos que se conectem com as necessidades mais vigentes, como saúde mental, divulgação científica, tecnologia, cuidados com a casa, com o corpo e alimentação, sejam priorizados.

Por isso, assim como afirma Carla Knoplech, fundadora da Agência Forrest de conteúdo, esse momento de crise expõe também grandes oportunidades no universo da comunicação digital: a licença poética para testar, errar e inovar nos formatos e nas ações e a possibilidade de pautar conversas relevantes para o seu público. Mas para que isso seja feito de forma assertiva, Carla, que também esteve presente no Aquário do dia 7 de abril, defende que a marca precisa usar a empatia como ferramenta principal para vulnerabilizar o seu discurso.

É preciso entender que, com o consumidor mais conectado do que nunca e preocupado com os desafios sociais e ambientais que o mundo está vivendo, quem vende apenas produto está fadado ao fracasso. Isso é uma tendência que já vem sendo observada há anos no âmbito do consumo e que se torna ainda mais evidente em tempos de coronavírus. As empresas precisam mostrar preocupação genuína com seu entorno e demonstrar isso com clareza para a sua comunidade, sem esquecer nunca o seu lugar de fala como marca! 

Por exemplo, uma empresa de cosmético nessa nova economia que estamos falando, não vende apenas cremes hidratantes, ela pode vender a ideia de empoderamento através da beleza. É o que faz a Natura quando produz uma série de podcasts para discutir os caminhos de uma relação mais saudável e positiva com o corpo, focando na mensagem que a marca quer passar para o seu público. 

Vamos trazer essa mesma lógica para o momento atual. Levando o isolamento social em conta, a Leroy Merlin, uma empresa que se caracteriza principalmente pelas suas grandes lojas físicas de materiais de construção, vem fazendo lives com criadores de conteúdo no perfil da marca no Instagram ensinando técnicas de reparo para quem quer aproveitar o tempo em casa para fazer pequenas reformas. Nesse mesmo contexto, o que uma pequena empresa de malas de viagem pode fazer? A marca Além resolveu apostar em dicas, como por exemplo de comidas de lugares diferentes pelo mundo, trazendo para a sua comunidade, de forma lúdica, o “espírito do viajante mesmo sem sair da própria cidade”.

Com as pessoas em casa, o consumo de conteúdo online está aumentando vertiginosamente, assim como as compras pelo e-commerce. Uma pesquisa da Nielsen lançada no final de março mostrou um crescimento de 32% de consumidores que realizaram a primeira compra online no mesmo mês. Ou seja, quem não era digital, precisa, mais do que nunca, passar a ser. E quem já está firme por aqui, precisa mais do que nunca mostrar o seu valor.

Então escolha o formato mais aderente ao seu negócio, sejam lives no Instagram ou no Youtube, associações com influenciadores digitais, blogs (preste atenção ao SEO do seu canal), podcasts ou até o TikTok (rede social predominante da geração Z, mas que tem ganhado cada vez mais força entre a geração y) e comece a pautar conversas. Sabemos que os desafios são enormes, mas um lado bom do digital é a quantidade de conteúdo relevante que existe para nos ajudar a começar a agir e, lembre-se, é a reputação da sua marca que está em jogo.

Iuri Campos
*Iuri Campos é líder do Aquário da Casa Firjan

 

Tópicos:
  • Artigo
  • Lab de Tendências Casa Firjan
  • Coronavírus
  • Covid-19
  • Comunicação
  • Gerenciamento de crise
  • Marketing Digital
  • Mídias Sociais
  • Reputação Corporativa
Em destaque
Artigos, Estudos e Pesquisas 75º Dossiê: Fundamentos da Experiência do Usuário

Estratégias de UX podem ser desenhadas para gerar experiências memoráveis, o que auxilia na consolidação da relação com os consumidores

em 23/05/2022

Artigos, Estudos e Pesquisas 74º Dossiê: Mercado de carbono e meta net zero

A incorporação da pauta ambiental na cultura organizacional é um diferencial para que as ações climáticas sejam efetivadas

em 16/05/2022

Artigos, Estudos e Pesquisas 73º Dossiê: Marketing de Influência e Avatares digitais

Avatares 3D, também chamados de influenciadores virtuais, criam identificação com as pessoas, ampliam a voz das marcas e colaboram com estratégias de conteúdo

em 11/04/2022