Conectando pessoas e mudanças organizacionais, com Otto Scharmer

Professor do Massachusetts Institute of Technology discute a Teoria U como alternativa para transformar o sistema

em 20/10/2019

Desastres ambientais, violência, crises políticas, abismos sociais que se aprofundam. Estamos vivendo a era da disrupção. Mas embora não possamos controlar o cenário externo, podemos controlar a nossa resposta a ele. E isso vale para qualquer sistema social: instituições, organizações, comunidades. Para Otto Scharmer, economista norte-americano e professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), há duas respostas possíveis à disrupção: a abertura e o fechamento. Ou avançamos rumo ao futuro que emerge ou andamos para trás. Como fazemos essa escolha?

Para responder a essa pergunta, Scharmer conduziu, na sexta-feira, 19/07, a palestra “Conectando Pessoas e Mudanças Organizacionais”, na Casa Firjan, como parte do ciclo Aquário. De acordo com ele, a era disruptiva possui três divisões: ecológica, social e espiritual/cultural. Essas divisões desconectam o indivíduo da natureza, dos outros e, sobretudo, de si mesmo, respectivamente. Para avançarmos positivamente, devemos, antes de tudo, nos reconectar com nossa “fonte” interior.

“A qualidade das nossas intervenções na sociedade e nas organizações depende de nossa capacidade de autoconhecimento. Só se transforma um sistema, quando transformamos a nossa consciência”, destaca.

Sistematizada por Scharmer, a Teoria U é uma metodologia que propõe a quebra de padrões do passado para transformar o futuro, a partir do desenvolvimento de novos modelos mentais. “As experiências passadas não são mais suficientes para enfrentar os novos desafios. Os líderes de suas organizações, por exemplo, devem ser capazes de sentir as oportunidades do futuro tal como ele emerge. É preciso ainda compreender os ‘pontos cegos’ da realidade, pois o que enxergamos revela apenas a ponta de icebergs”, explica.

O nome da teoria refere-se à trajetória em formato da letra U, necessária para alcançar a mudança profunda. O percurso exige o alinhamento da mente, do coração e da vontade, que trabalham a favor de uma mesma direção, em que suspendemos nossos julgamentos e criamos a partir do que surge. 

O objetivo final da Teoria U é realizar a migração da consciência egossistêmica para a ecossistêmica. Por meio desta última, o bem-estar de todo o sistema é promovido através de uma escuta empática e dialógica. Para isso, é necessária a adoção de novos ambientes de aprendizagem que conectam indivíduos e redes de organizações na busca por criação de soluções coletivas sistêmicas. “Esses ambientes criam espaços para reflexão e para que o próprio sistema possa se enxergar. Se não alcançarmos um nível maior de consciência, não conseguiremos enfrentar os desafios globais”, ressalta.

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