A Economia Circular e seu papel transformador nas organizações

Design circular procura reter valor, escolhendo melhor materiais utilizados e projetando usos mais eficientes

em 20/10/2019

O debate sobre os desafios e oportunidades da chamada economia circular é cada vez mais presente nos dias de hoje. Como realizar a transição de nossa economia linear para uma restaurativa, que visa eliminar a noção de resíduo e preservar ao máximo o valor dos materiais? A resposta a essa pergunta está com os designers, pois são eles que visualizam novas alternativas para melhorar a sociedade e o planeta. Esta é a opinião de Pieter Van Os, cofundador do movimento holandês Circo (Creating business through Circular Design), que apoia e auxilia mais de 400 empresas a implementar projetos circulares. Van Os falou sobre o assunto na palestra “A Economia Circular e seu papel transformador nas Organizações”, realizada em 15/08, na Casa Firjan.

Na economia linear, a vida útil dos produtos é cada vez menor e, ao fim dos seus ciclos, há destruição de valor. O design circular, ao contrário, procura reter valor, escolhendo melhor os materiais utilizados e projetando usos mais eficientes. “Ter novos produtos para reutilizar impede que o valor se destrua. Nossa meta é manter os valores dos produtos nos níveis mais altos possíveis”, destacou.

O holandês apresentou alguns modelos de negócios circulares adotados pelas empresas. “O objetivo de todos esses modelos é evitar a destruição de valor, renovando e revendendo produtos, componentes ou materiais”.

No modelo de vida longa clássica, os produtos são feitos para durarem mais do que a média normal do mercado. A margem de lucro do fabricante é então mais alta, já que a qualidade e expectativa de vida são superiores. O comércio de segunda mão, por sua vez, a exemplo de plataformas como o Ebay, é outro modelo circular relevante, pois o tempo de vida técnico do produto pode continuar após seu primeiro dono. 

Assista também à entrevista exclusiva com Pieter Van Os:

E quando o produto atinge o fim de seu ciclo? Segundo Van Os, pode-se ainda recuperá-lo, aproveitando as partes valiosas que restaram para fazer novos produtos. “Os materiais retornam à cadeia de valor com uma porcentagem de reuso alta”, explicou.

Outro modelo é o da acessibilidade, cujo sistema de aluguel de bicicletas é um dos exemplos mais disseminados pelo mundo. “É interessante para produtos cuja taxa de utilização é baixa. Ou seja, sua posse permanente não vale a pena. As bicicletas de aluguel são mais eficientes porque são compartilhadas”, ressaltou.

Mas modelos de negócios não bastam. Estes precisam ser combinados com estratégias de design. Essas duas coisas precisam estar sincronizadas, de acordo com o Van Os. Uma dessas estratégias é a do apego. Cabe ao designer estender a vida do produto, encorajando um maior cuidado por parte do usuário através do apego pessoal. Outra estratégia foca na facilidade de reparo. Nesse caso, os produtos são projetados visando à reparação descomplicada de suas falhas para prolongar a sua utilização.

Na busca por modelos e estratégias circulares, um ponto que necessita de reforço, segundo Van Os, é o feedback acerca dos produtos. “Em geral, após a venda, o fabricante perde contato com os produtos. Desse modo, temos poucas informações sobre sua performance. Temos que nos conectar mais àquilo que fabricamos para que possamos inovar e estender a sua durabilidade”, argumentou.

Negócios circulares

Trazendo um caso prático, Cláudio Bastos, fundador e CEO da CBPACK Tecnologia, contou um pouco de sua trajetória na economia circular. Quando abriu seu primeiro negócio, dedicado à restruturação de empresas, seu primeiro cliente foi um fabricante de embalagens. Cresceu em Bastos a preocupação com o descarte dos resíduos sólidos. Dez anos depois, ele fundou a CBPACK, empresa que produz copos biodegradáveis a partir da mandioca. Como a embalagem é 100% compostável, ela vira adubo orgânico após ser utilizada.

Além de copos, a empresa produz bandejas e embalagens customizadas. Bastos também é CEO da Toco Engenharia, voltada à pesquisa e desenvolvimento de tubetes biodegradáveis.  “A economia circular é fruto de quem tem coragem de acreditar. Eu tenho o compromisso de projetar com circularidade e empoderar as pessoas com conhecimento. Esse é o dever das empresas”, afirmou. 

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