Como a digitalização está transformando o mercado de moda

Para muitas empresas, o investimento na moda digital significa a possibilidade de aperfeiçoar processos e reduzir desperdícios

em 24/01/2022

Como a digitalização está transformando o mercado de moda

Por Nathália Coelho*

Já imaginou usar um tênis ou uma roupa digital? A pandemia potencializou e acelerou tendências que já estavam em curso, especialmente no que diz respeito à adoção de novas tecnologias e a digitalização de processos. Com o fechamento das fronteiras e a imposição de barreiras sanitárias, muitas viagens foram canceladas, os desfiles e feiras tão importantes para o setor da moda, aos poucos foram sendo adiados ou postergados. Diante desse cenário, houve necessidade de inovar nos formatos de apresentação dos produtos e coleções. A semana de moda de Shanghai em 2020 foi a primeira a realizar um evento 100% digital, seguida pela London Fashion Week que adotou um conjunto de mudanças bem similares realizando o evento por meio de uma plataforma digital.

O Brasil tem despontado como protagonista no segmento de moda digital na América Latina. Desde o uso de inteligência artificial ao crescimento do e-commerce, até a digitalização dos desfiles e dos artigos de moda, a indústria está promovendo diversas experimentações. Para o setor, toda essa mudança representa uma oportunidade de se reinventar, se conectar melhor com o consumidor por meio de experiências imersivas, além de apontar um universo de possibilidades a serem exploradas.

As grifes de luxo e as grandes varejistas têm investido na incorporação dessas tecnologias. Especialmente no que diz respeito à digitalização do vestuário, as parcerias milionárias entre as marcas de moda e a indústria de games no desenvolvimento das skins para os jogos eletrônicos chamaram muita atenção, mostrando-se um investimento promissor. Essa estratégia parece ter sido um ótimo recurso para atenuar os impactos causados pela pandemia, inovando por meio de ações comerciais. No início deste ano, a Gucci, marca de luxo de origem italiana, lançou seu primeiro par de tênis totalmente virtuais, o que incitou debates sobre a compra de produtos para o uso exclusivo no digital. Mas será que a moda digital se restringe apenas a isso?

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Para muitas empresas, esse investimento significa a possibilidade de aperfeiçoar processos e reduzir desperdícios. A adoção dos softwares de design 3D e computação gráfica para as etapas de criação, modelagem e prototipagem representa uma otimização no fluxo de trabalho, tornando-o mais eficiente, aumentando a produtividade e reduzindo o impacto ambiental. Esses são alguns fatores que tornam esse o mercado tão atraente, promovendo diversas possibilidades de experimentação criativa e oportunidades para alcançar maior sustentabilidade em diversos âmbitos da cadeia da moda.

Todo esse movimento em torno da criação de produtos digitais, parece estar relacionado às NFTs, às concepções de metaverso e ao avanço de uma nova proposta de internet mais descentralizada,a Web3. As NFTs, ou tokens não fungíveis, são arquivos digitais registrados em blockchain. Por meio dessa tecnologia é possível conferir um certificado de autenticidade ao item digital, o que viabiliza a venda e comercialização desses objetos virtuais e promove de certa forma uma autonomia aos designers e criadores de moda. Esse assunto tem atraído atenção das grifes e marcas de luxo, após o mercado da arte começar a vender obras digitais em NTFs por quantias bastante expressivas. Ao que tudo indica, vender ativos digitais em um futuro bem próximo, poderá significar uma fonte de receita para os negócios.

Além disso, as marcas também vêm realizando experimentações na construção de metaversos, que são universos virtuais onde as pessoas interagem entre si por meio de avatares digitais. Nesse sentido, as fronteiras entre o físico e o digital parecem estar sendo cada vez mais diluídas, oferecendo novas experiências aos usuários. Recentemente, aqui no Brasil, o grupo Soma anunciou um projeto que acabou de sair do papel, chamado Farm Na Nuvem. Trata-se de um ambiente virtual no qual o consumidor consegue passear pela loja da marca, escolhendo produtos e outros podendo realizar a compra por meio desse ambiente. Ainda que toda essa gamificação da vida pareça distante da nossa realidade, ou como costumamos chamar nos Estudos de Futuros, um sinal fraco, já estamos começando a vivenciar um pouco dessa internet mais imersiva. As tecnologias de internet 5G, realidade mista e aumentada além de toda estrutura necessária para essa inovação parece realmente promissora. O fato é que todas essas novidades, irão exigir cada vez mais especialização dos profissionais e empresas em letramento digital.

Nathália Coelho
*Nathália Coelho é pesquisadora do Lab de Tendências da Casa Firjan

 

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