Como o blockchain pode ajudar as empresas a atingirem metas ambientais, sociais e de governança (ESG)

Adesão de novas tecnologias será fundamental para as organizações que desejam triunfar na nova economia, mas é preciso incorporá-las estrategicamente

em 02/06/2021

Como o blockchain pode ajudar as empresas a atingirem metas ambientais, sociais e de governança (ESG)

Por Iuri Campos*

Se você acompanha as palestras e debates do Aquário Casa Firjan, você certamente já conhece os termos “blockchain” e “ESG” – e possivelmente os impactos dessas duas tendências para os negócios. O que talvez você não saiba é que a promissora tecnologia de descentralização e rastreabilidade tem se mostrado uma ferramenta cada vez mais estratégica para que as empresas alcancem metas ambientais, sociais e de governança (ESG) – essenciais para mitigar riscos, aumentar a competitividade e atrair investimentos.

O blockchain funciona como um livro contábil inalterável e, com isso, tem sido usado para registrar origens de matéria prima, certificar boas práticas de trabalho e, em última instância, garantir mais confiabilidade e transparência para os negócios. Por isso, Segundo Juan Miguel Pérez, CEO e cofundador da Finboot, startup que tem como cliente e acionista a gigante do petróleo Repsol, a relação entre blockchain e ESG vai se tornar algo cada vez mais importante nas empresas.

No âmbito da responsabilidade ambiental e governança, algumas iniciativas importantes já podem ser vislumbradas no cenário brasileiro, sendo o caso da empresa de gestão de resíduos Polen, um dos pioneiros. Presente no Aquário Casa Firjan sobre aplicações do blockchain na indústria, o CEO da Pólen, Renato Paquet, explica: “Para a gestão, certificação e comprovação da reciclagem de resíduos, usamos a tecnologia blockchain, que permite maior rastreabilidade e transparência das informações para a compensação ambiental e efetividade na comprovação jurídica para com os órgãos ambientais”.

Seguindo esse exemplo, recentemente as gigantes Basf, Natura, Henkel e Braskem criaram a Fundação Espaço Eco. Esse consórcio é responsável pela reciChain, um token digital para reciclagem, capaz de atestar a veracidade das informações, como a qualidade e as condições de origem dos materiais, garantindo que embalagens e outros produtos recicláveis não parem em aterros ou lixões. A expectativa é que ele já possa ser operacionalizado no segundo semestre.

Por outro lado, para além dos desafios ambientais relacionados às matérias primas e resíduos, um outro grande desafio das empresas é a responsabilidade social, especialmente estendendo essa responsabilidade para todos os elos da cadeia de valor. Por exemplo, como garantir qualidade digna de trabalho nas empresas terceirizadas? Uma outra característica atribuída ao token reciChain, então, é a de servir como forma de remuneraração de toda a cadeia de reciclagem, além de utilizar a plataforma blockchain para gerar certificados para os catadores e carroceiros.

A possibilidade de garantir condições dignas de trabalho na cadeia de valor é também o que chamou a atenção do Instituto Alinha. A empresa trabalha assessorando empreendedores de pequenas oficinas de costura a regularizarem seus negócios e os conecta com marcas e estilistas, garantindo preços e prazos justos. O setor da moda vem sendo demandado pelos consumidores a adotar práticas mais justas e transparentes e, desse modo, o acesso às informações da produção e a possibilidade de conhecer a história por trás das peças produzidas torna-se algo bastante atrativo. Não à toa, a C&A, uma das maiores varejistas do setor, firmou uma parceria com o Instituo Alinha em 2019 para desenvolver soluções nesse sentido.

Assim como na moda, o setor de proteínas animais também vem sendo fortemente demandado por práticas mais sustentáveis e, foi nesse contexto, que o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, destacou recentemente que a tecnologia blockchain é um dos pilares fundamentais para o crescimento da companhia - maior produtora mundial de carnes. O que se pode perceber, então, é um movimento grande de adesão e incorporação de grandes empresas multisetoriais à tecnologia blockchain, em prol de soluções e prestação de contas de suas atividades no âmbito ESG.

Seja para atrair clientes, cada vez mais atentos e exigentes com os impactos do seu consumo, ou para ter acesso a crédito e investimentos, a adesão de novas tecnologias será fundamental para as organizações que desejam triunfar na nova economia. Mas não só. É preciso incorporá-las de forma estratégica, sanando lacunas operacionais que vêm se tornando incompatíveis com os tão importantes critérios ambientais, sociais e de governança que essa antiga sigla ESG tem apontando como imperativas para o presente e o futuro dos negócios.

*Iuri Campos é líder do Aquário Casa Firjan

Tópicos:
  • ESG
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  • Sustentabilidade
  • Inovação
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