ESG: por que essa sigla vai mudar o seu negócio daqui para a frente?

No contexto atual, empresas mais resilientes e sustentáveis estarão mais aptas para gerenciar riscos, atrair talentos e aumentar receita

em 19/04/2021

ESG: por que essa sigla vai mudar o seu negócio daqui para a frente?

Por Nathália Coelho e Antônio Pedro Lima*

Em meio a um cenário de grandes incertezas causadas pela crise sanitária da pandemia da Covid-19, estamos experimentando a intensificação de algumas tendências e debates importantes que já estavam em curso, especialmente relacionados às pautas ambientais e sociais. Torna-se cada vez mais evidente a preocupação e o empenho das organizações em adaptar os modelos de negócios e adotar novas tecnologias para enfrentar os desafios apresentados pelas mudanças climáticas. Essa discussão parece ter alcançado não apenas as empresas e indústrias de diversos setores, mas também têm despertado à atenção dos investidores financeiros.

Certamente você já deve ter ouvido falar na sigla ESG, que em inglês significa environmental, social and governance; na tradução em português o termo ASG (ambiental, social e governança), é usado para mensurar as práticas sociais, ambientais e de governança de uma empresa. O pilar ambiental tem como foco a gestão das emissões de gases de efeito estufa, o consumo de recursos naturais como água, energia, produção e descarte adequados de resíduos, entre outros. O pilar social analisa o relacionamento com os colaboradores e valores da empresa, a diversidade no corpo de funcionários e campanhas externas. O pilar de governança verifica os aspectos relacionados as políticas e práticas da empresa, a diversidade nos conselhos corporativos, a ética e práticas anticorrupção. No entanto, é importante ressaltar que os focos de cada dimensão ESG não estão limitados aos exemplos citados.

A sigla se popularizou no mercado financeiro, estabelecendo-se como um critério fundamental para priorizar os investimentos em empresas comprometidas com a redução de seus impactos ambientais e na construção de um ambiente socialmente responsável para seus colaboradores e a comunidade em seu entorno. De acordo com a KPMG, esse movimento estimulou o aumento dos investimentos sustentáveis de US$ 13 trilhões em 2012 para US$ 31 trilhões em 2018.

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O interesse pelo assunto no último ano cresceu de forma tão significativa, que segundo dados do Google Trends, o termo nunca havia sido tão procurado quanto no ano de 2020. A ferramenta também apontou que a busca por “investimento ético” em todo o mundo, alcançou o nível mais alto dos últimos cinco anos. Mas apesar da popularização da sigla em 2020, as questões sobre meio ambiente e responsabilidade social já estavam sendo amplamente discutidas pela sociedade civil, pelo setor público e iniciativa privada. Mas então o que muda efetivamente nesse contexto ESG?

O termo consiste em uma série de métricas utilizadas para avaliar o desempenho das empresas e, ao mesmo tempo, permite que os dados atrelados a cada um desses três pilares possam ser comparáveis independente do negócio de cada empresa. O resultado das métricas reflete o quanto a organização é resiliente para lidar com crises e impactos socioambientais e sem afetar o desempenho econômico. Desmistificando a ideia de que as empresas pautadas nestes três pilares são mais custosas e prejudicam os rendimentos dos negócios, a adoção de práticas ESG possibilita a geração de rendimentos satisfatórios a longo prazo.

De acordo com uma pesquisa desenvolvida pela consultoria BCG, empresas que aderiram a boas práticas ambientais, sociais e de governança estão obtendo melhores resultados e aumentando seu valor de mercado. As organizações que optam por uma postura mais transparente e políticas mais responsáveis, tendem a não se envolver em fraudes e são mais bem avaliadas pelo mercado financeiro. Além disso, segundo a consultoria McKinsey, foram realizados mais de dois mil estudos acadêmicos sobre o assunto dos quais aproximadamente 70% descobriram existir uma correlação positiva entre as métricas ESG e os retornos financeiros das empresas.

As grandes empresas buscam, cada vez mais, orientar as práticas ESG para toda a sua cadeia de valor. Portanto as empresas fornecedoras serão estimuladas a adotar posturas mais sustentáveis em temáticas como gerenciamento de resíduos, uso de plásticos descartáveis, embalagens, desperdício de água, além das questões sociais para possam continuar participando ativamente do mercado. A maior preocupação com essas questões aumenta a eficiência dos processos, reduz o risco de sanções ou de punições por parte do órgão regulador ou do setor público. Também aumentam o potencial de atração de jovens talentos e consumidores, que estão mais preocupados com questões socioambientais e ponderam o impacto social da empresa como fator relevante no momento de escolha pelo produto ou serviço e local de trabalho.

As empresas podem cumprir algumas etapas para dar início ao processo de conscientização e podem iniciar a implementação de condutas ESG para a construção de valor de longo prazo. Na terça-feira, dia 27 de abril, às 19h, a Casa Firjan promoverá o Aquário “ESG: Como essa sigla está influenciando o mercado financeiro e porque incorporá-la na sua empresa para debater sobre como as empresas podem incorporar os aspectos ESG em seus negócios e engajar os stakeholders pensando em soluções nesse sentido. Neste encontro, estarão presentes representantes de grandes empresas do setor produtivo - Gerdau, Porto do Açu Operações e Braskem – que apresentarão suas experiências no processo de implementação de ESG na prática.

Os riscos para as empresas no mundo e no mercado podem ser inesperados, como a pandemia da Covid-19, ou a longo prazo, como as mudanças climáticas. Quanto mais as empresas compreenderem seu papel e integrarem o padrão ESG à sua visão de negócio, mais resilientes e perpétuas serão no mercado. Essas empresas passarão a considerar as mudanças nos seus negócios e conseguirão se preparar e se adaptar a elas com mais facilidade. No contexto atual, as empresas mais resilientes e sustentáveis, aderentes às práticas ESG, estarão mais aptas para gerenciar os riscos, atrair talentos e aumentar as receitas.

*Nathália Coelho é pesquisadora do Lab de Tendências da Casa Firjan. Antônio Pedro Lima é analista sênior da Gerência de Ambientes de Inovação da Firjan. 

Tópicos:
  • ESG
  • Sustentabilidade
  • Negócios sustentáveis
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