Gestão de equipes remotas (4/4): como estabelecer o equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Série de artigos dá dicas fundamentais para liderar equipes em tempos de pandemia

em 18/05/2020

Gestão de equipes remotas (4/4): como estabelecer o equilíbrio entre vida pessoal e profissional

🔶 Este artigo integra a série "Gestão de equipes remotas", dividida em quatro partes. Leia também "como promover uma comunicação aberta e assertiva"; "como planejar e acompanhar processos e projetos a distância" e "como manter a equipe integrada e engajada". 

Por Aline Aride*

Com a dissolução das fronteiras entre o ambiente doméstico e o espaço de trabalho, torna-se cada vez mais imperativo estabelecer uma rotina previsível e organizada, em que haja a separação dos horários de dedicação às atividades da empresa e de descanso/lazer dos funcionários.

Em casa, com uma alta demanda de novas tarefas e com um possível receio de perder seus empregos, muitos funcionários tendem a exagerar no trabalho, acumulando horas extras e estresses decorrentes da dedicação intensiva às atividades laborais. Como líder, procure alertar os seus liderados quanto aos excessos na rotina de trabalho e incentive a adoção de um horário comum, semelhante ao do escritório, para evitar que eles sejam acionados por outros colaboradores em seu momento de descanso. Procure também não enviar mensagens e tarefas fora do horário de trabalho, de modo a evitar a ansiedade na equipe. Você também pode optar por um canal de interação assíncrona (não-simultânea, que acontece em diferentes espaços de tempo), como o Microsoft Teams e o Basecamp, por exemplo.  

Se achar válido, recomende algumas atividades para os colaboradores praticarem fora do expediente, que ajudem a contribuir para o seu bem-estar e a minimizar o tempo disponível para horas extras. A prática de Mindfulness e de exercícios físicos, por exemplo, pode ser uma boa alternativa para reduzir a ansiedade, elevar os níveis de dopamina (hormônio responsável pela sensação de alegria e de bem-estar) e trazer mais conforto à equipe. Ainda, incentive-os a buscar recursos que possam ajudá-los a repensar suas prioridades e reformular sua rotina, como o aplicativo Optimize e os livros “O design da sua vida: como criar uma vida boa e feliz” (Bill Burnett e Dave Evans) e “O poder do hábito” (Charles Duhigg), por exemplo.  

Além disso, procure estabelecer regras de comunicação e regular a frequência no envio de mensagens (veja o artigo “Gestão de equipes remotas (1/4): como promover uma comunicação aberta e assertiva” para maiores detalhes) e, sempre que possível, minimize o excesso de notícias e o uso de canais para tentar conter os efeitos da fadiga digital. Com todas as interações migrando para o ambiente virtual, é essencial criar momentos de pausa para minimizar o cansaço mental.   

Em uma época de incertezas, de angústias e de preocupações de diversas naturezas, também é fundamental que os líderes assumam um olhar mais humano, compreensivo e flexível com os seus liderados, não entrando em modo de cobrança sempre que os resultados esperados não são alcançados. É importante ter em mente que existem outros fatores que podem estar atrapalhando o desempenho do colaborador e que, nesse momento, ele pode não conseguir entregar o que a empresa espera. Segundo Suzie Clavery, Gerente de Employer Branding do UnitedHealth Group e fundadora do Employer Branding Brasil, o ideal é flexibilizar as expectativas nesse momento, alinhando com o colaborador quais são suas possibilidades de entrega na crise. Nessas ocasiões, a escuta por meio de videochamadas é fundamental para que líderes e liderados consigam se entender e compreender as necessidades uns dos outros.  

Vale lembrar que, no contexto da Covid-19, os colaboradores não estão vivenciando as condições de trabalho remoto adequadas. Além dos efeitos negativos do confinamento, como a solidão, o desequilíbrio emocional e o estresse pós-traumático, muitas pessoas estão tendo que lidar com a absorção de tarefas domésticas, com a educação dos filhos (que também estão em casa), com as emergências com pessoas enfermas e com demandas de diversas naturezas, que antes não faziam parte do seu dia a dia. Por isso, todos precisam pensar de forma mais empática, entendendo que, “embora estejam na mesma tempestade, estão passando por ela em barcos diferentes”, cada um à sua maneira, de acordo com sua própria realidade.  

Como líder, seja generoso e humilde consigo mesmo. Procure entender que, em um cenário de crise inconstante e imprevisível, você não conseguirá ter controle sobre tudo, mas, ao praticar transparência e verdade com a sua equipe, entendendo a melhor forma de liderá-los a distância, alinhando expectativas e provendo os recursos necessários para oferecer melhores condições de trabalho, você terá um time fiel e motivado que o ajudará a encontrar todas as respostas de que precisa.    

➡ O futuro da liderança 

Liderar equipes, principalmente em cenários turbulentos, é uma grande responsabilidade, tanto para a manutenção da produtividade e da sobrevivência das empresas quanto para assegurar o bem-estar e a segurança operacional e psicológica de colaboradores em meio a processos iterativos com resultados imprevisíveis.  

A liderança atual, em constante reconstrução, está se afirmando como um modelo de gestão mais objetivo, claro, eficiente e empático, com mais consciência com relação ao propósito da empresa e do papel da equipe. Esse modelo de gestão concentra processos mais enxutos, organizados e estratégicos, estruturados sob um mindset flexível e adaptável, e sob um olhar mais humano.

Como vimos ao longo dos artigos da série, ainda são muitos os desafios enfrentados diariamente para a manutenção da integração e da comunicação em times remotos. Entretanto, estamos observamos que, munidas de ferramentas digitais e de motivações para enfrentar a crise, muitas equipes vêm provando que é possível permanecer conectado mesmo fisicamente distante. Nesse cenário fragmentado, as lideranças afirmam-se como peças fundamentais para juntar pontos geograficamente dispersos e trazer unidade à empresa.

Wallace
*Aline Aride é analista de conteúdo do programa Cocriação da Casa Firjan
 

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