Livecommerce: um formato para ficar de olho no Brasil

Agilidade, entretenimento e "humanização" das vendas dão o tom das compras "ao vivo"

em 13/08/2020

Livecommerce: um formato para ficar de olho no Brasil Arte: Marcelo Ghizi

No início da pandemia, a loja de chocolates Dengo ficou famosa por “digitalizar” a experiência do atendimento físico. A marca criou uma “loja ao vivo”, onde o consumidor podia interagir em tempo real com o vendedor. No mercado internacional esse formato já tem nome e participação relevante: Livecommerce (também chamado de liveshopping, shopstream ou livereviews em alguns lugares). E por aqui vem ganhando cada vez mais força, especialmente depois que a gigante Americanas.com adotou esse formato.

No dia 25 de junho desse ano, a marca realizou uma live com a influenciadora digital Camila Coutinho (2,5 milhões de seguidores no Instagram), transmitida pelo aplicativo (app) e simultaneamente no Youtube. Camila experimentava, ao vivo, comentava e tirava dúvidas sobre os produtos e, enquanto isso, o expectador tinha a possibilidade, além de fazer perguntas, de adicionar os itens no app para, no final do evento, fechar a compra. Algo semelhante ao bom e velho Shoptime, marca conhecida pelo canal de vendas na TV e que pertence à mesma empresa da Americanas.com, a B2W Digital.

O grande diferencial é a combinação da agilidade das compras online com o conteúdo e entretenimento dos influenciadores digitais e a “humanização” da interação com quem está vendendo. Além, é claro, de ofertas exclusivas para estimular as compras de impulso. Segundo a gerente de marcas da Americanas.com, Marcelli Valle, presente no Aquário Casa Firjan do dia 4 de agosto, a B2W vai continuar apostando forte nesse formato e, já na primeira edição, o retorno foi acima do esperado. Alguns produtos chegaram a ter suas vendas aumentadas em até dez vezes e houve um aumento, também, na visualização e compra de outros itens das marcas apresentadas.

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Atualmente realizando uma livecommerce por semana, a perspectiva, para o futuro, ainda segundo Marcelli, é que a empresa atinja uma programação que dure 24h por dia. Para isso, deve investir na capacitação dos seus sellers (empresas que vendem através dos seus canais e que, inerentemente, possuem o maior know-how sobre seus produtos) e na aproximação com influenciadores digitais. Além da Camila Coutinho, a companhia já realizou lançamento de celular com o casal especialista em tecnologia Coisa de Nerd (10,5 mil inscritos no Youtube), venda de maquiagens com a influenciadora Bianca Andrade (12,3 milhões de seguidores no instagram), entre outras ações.

Atenta a essa novidade, outra empresa que está investindo nas livecommerces aqui no Brasil é o Grupo Soma (Farm e Animale), que criou a Lojix, uma plataforma exclusiva para esse tipo de vendas. A primeira edição foi no dia 20 de julho desse ano, com colaboradores da Farm apresentando as peças da coleção. Ao que tudo indica, não houve um retorno tão grande inicialmente. Mas na lógica da experimentação, tão pertinente a esse formato, na segunda edição, no dia 5 de agosto, a empresa contratou a cantora Teresa Cristina, atualmente conhecida também como “rainha das lives”, e o resultado parece ter agradado bastante.

Outras marcas também estão investindo nesse formato, como a Renner, Schutz e Riachuelo. Essa última chegou a realizar edições com a dupla sertaneja Simone e Simaria e, posteriormente, com o apresentador Otaviano Costa e o cantor Mumuzinho, para o dia dos pais. Vale destacar, no entanto, que para quem deseja começar a adotar esse formato, não é necessário investir em nomes de tanto peso. Os produtos podem ser divulgados em parcerias com microinfluenciadores, que tenham uma aderência com a sua marca e um poder de pautar conversas de nicho.

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Para empresas que não possuem recursos para criar a própria plataforma, a boa notícia é que existem aplicativos que resolvem esse problema. É o caso do Spin Live, um marketplace na qual varejistas e influenciadores digitais podem se inscrever para transmitir vídeos ao vivo e vender diretamente aos usuários. Ainda não disponível no Brasil, esse app foi lançado recentemente nos EUA e já está presente há anos na China.

Na potência asiática, as livecommerces acontecem desde 2016 e movimentou, apenas no ano passado, cerca de 63 bilhões de dólares, o equivalente a 10% de todas as compras online do país. Lá existem, inclusive, influenciadores especializados para esse tipo de formato e, nos casos mais extremos, a remuneração para esses profissionais chega na casa dos milhões de dólares em apenas um dia. Considerando o forte crescimento do mercado online no Brasil, formatos como esse podem ser uma alternativa importante para as marcas que buscam alavancar as vendas e ampliar a sua presença digital.

Iuri Campos
*Iuri Campos é líder do Aquário da Casa Firjan

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