Alfabetismo do futuro requer criatividade e aceitação do novo

Para o chefe de letramento de futuros da UNESCO em Paris, Riel Miller, "o novo não será uma ameaça, mas uma diretriz"

27/11/2020

Alfabetismo do futuro requer criatividade e aceitação do novo

O alfabetismo do futuro vai valorizar a habilidade de os seres humanos integrarem às suas vidas, de maneira criativa, as novidades que forem surgindo no mundo. Ou seja, o novo não será uma ameaça, mas uma diretriz. O ensinamento é de Riel Miller, chefe de Letramento de Futuros na Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em Paris, e um dos principais designers de previsão estratégica do mundo.

PhD em economia, Miller fez palestra sobre a “A importância dos Estudos de Futuro”, no “Summit Firjan IEL + Futuros Possíveis 2020”, evento organizado pela Casa Firjan, que acontece até sexta-feira, 27/11. 

Ele explica que no mundo em que vivemos há muitas coisas que não vão durar para sempre, que fazem parte apenas do significado do momento. “Se a gente aceita a natureza de tudo que está à nossa volta, vamos ser menos ansiosos sobre a incerteza e menos pretensiosos em tentar controlar o futuro. Assim, estaremos abertos para as novidades e teremos mais confiança e criatividade para inventar e nos adaptar”, orienta.

Certeza da mudança

Miller salienta que o mundo muda e isso é a única certeza que temos – e quem for inimigo da mudança vai ficar com medo, desapontado e frustrado. “No contexto de mudança, temos que deixar, soltar, e não estarmos preocupados, como estamos, com a imortalidade das coisas, com o que dura para sempre. Abraçando a complexidade, abraçamos o nascimento, a morte, a generosidade, que tem a ver com criar condições férteis para o amanhã”, ressalta Miller, ao afirmar que é preciso parar de projetar o passado no futuro.

Na opinião do PhD, as empresas devem ter líderes capazes de ver o futuro com diferentes perspectivas. O alfabetismo de futuros é sensível, pode ser aprendido e aplicado em cada desafio especifico das empresas, comunidades, governos ou universidades.

De acordo com o especialista, a imagem do futuro, geralmente, reflete o modelo do irmão mais velho ou de alguém que se quer imitar. Mas, no momento em que nos tornamos adultos, as ideias mudam e queremos ter a nossa própria imagem do futuro. Nesse momento, segundo Reiller, é que se chega a uma das maiores dificuldades, quando nos deparamos com a chamada “pobreza de imaginação”.

“Nós temos um entendimento muito limitado de onde as imagens do futuro surgem. O futuro é muito particular, você não consegue ir no futuro e trazer evidências. Ele é sempre imaginário e temos que criar a nossa imagem do futuro usando o que nós sabemos agora e o que sabemos do passado”, reflete.