Novas estratégias de ambientes online para fomento à inovação no contexto da Covid-19

Empresas precisam compartilhar conhecimento e desenvolver novas formas de aprendizado coletivo

em 27/08/2020

Novas estratégias de ambientes online para fomento à inovação no contexto da Covid-19

A Pesquisa de Inovação na Indústria, realizada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) com líderes empresariais em junho deste ano, constatou que mais de 70% das empresas foram afetadas pela crise da pandemia da Covid-19. Nesse sentido, 83% das empresas afirmaram que precisarão de mais inovação para crescer ou até mesmo sobreviver no mundo pós-pandemia. Há muito a ser feito nesse processo: mais de 70% das empresas pesquisadas informaram que não possuem uma estratégia de inovação aberta. A pesquisa de Perfil de Inovação na Indústria Fluminense, desenvolvida pela Firjan em parceria com a CNI a partir de entrevistas com empresas do estado do Rio de Janeiro do segmento da indústria de transformação no mês de agosto de 2019, demonstra que a parceria com universidades, institutos de pesquisa ou núcleos de inovação tecnológica e com startups é pouco realizada como forma de inovar, com apenas 11,7% das indústrias fluminenses aderindo a este modelo. 

Diversas pesquisas apontam que o desempenho de uma empresa melhora à medida que aumenta o número de parcerias e que o relacionamento em rede facilita o desenvolvimento de produtos intensivos em conhecimento. A colaboração entre empresas é elemento-chave da estratégia corporativa para lidar com a dinâmica de mudança tecnológica e o risco de lidar com recursos escassos. A flexibilidade e o potencial de criação de valor por meio de colaboração entre empresas têm acelerado o crescimento das alianças na última década. Os benefícios em termos de inovação resultantes da colaboração incentivaram o aumento da pesquisa e as parcerias de P&D em diversos setores . A inovação aberta se concretiza a partir da colaboração entre os parceiros estratégicos da empresa . Para obter êxito, as empresas precisam procurar novas fontes de conhecimento e de tecnologias, oriundas de universidades e centros de pesquisa por exemplo, para poderem desenvolver continuamente novos produtos e serviços. Com isso, a competitividade das empresas está se tornando cada vez mais dependente de conhecimento desenvolvido de forma complementar com outras empresas, assim como outros atores como universidades, startups, institutos de pesquisa e consultorias. Os parceiros externos com conhecimento complementar podem dar impulsos inovadores consideráveis aos produtos e serviços oferecidos pelas empresas.
 
De acordo com o relatório Research in Brazil: A report for CAPES by Clarivate Analytics, o Brasil está na 13° posição em termos de publicações científicas e de pesquisa. No entanto, segundo o Índice Global de Inovação desenvolvido pela World Intellectual Property Organization, INSEAD e a Universidade de Cornell, em 2019, o Brasil teve a 66º colocação no ranking, que abrange 129 países. Há um gap entre a geração de conhecimento acadêmico e a inovação no Brasil que precisa ser superado para que o Brasil se insira de forma competitiva nas cadeias globais de valor. 

A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) criou uma série de webinars com representantes, pensadores e gestores de diversos ambientes de inovação, intitulados de Anprotalks, para responder sobre esses ecossistemas no contexto da pandemia, apontando para determinadas tendências. Conforme afirmou Daniel Leipnitz no Anprotalks  sobre “Ecossistemas de inovação como resposta à Covid”, a universidade precisa ser um espaço de criação de empreendedores. Não é mais possível capacitar pessoas apenas para trabalharem em grandes corporações. É necessário preencher a lacuna do conhecimento tácito e do learning by doing, para que os estudantes possam desenvolver habilidades necessárias para abrirem seus próprios negócios ou trabalharem em empresas de portes variados de forma mais condizente às necessidades do século XXI. As universidades precisam redefinir uma parte crucial de suas estratégias, e, nesse processo, a colaboração com as empresas precisa estar incluída como parte importante do papel das universidades. No ensino, esse desafio chegou com urgência, e as universidades tiveram que se reestruturar dramaticamente, criando plataformas e ambientes online de interação. 

Os ambientes de encontro são os melhores laboratórios e espaços de trocas para compartilhamento e desenvolvimento de inovação. No entanto, devido à pandemia do novo coronavírus, a prática da colaboração precisa se adaptar para o ambiente online. Uma provocação importante que Francisco Saboya trouxe no Anprotalks sobre “Novas Estratégias para ambientes de inovação” foi: como é possível estimular a colaboração num contexto em que o trabalho ainda é feito em casa e muitas pessoas ainda não podem se encontrar? Para Saboya, seria necessário desenvolver processos e metodologias de interação online que possibilitem os encontros. 

Silvio Meira afirmou no Anprotalks sobre “Novas Estratégias para ambientes de inovação” que estamos atravessando uma nova era de ecossistemas de plataformas digitais, que possibilitam fazer uma orquestração compartilhada e distribuída de negócios. Combinadas, as plataformas formam ecossistemas e mercados em rede, o que reforça a necessidade de colaboração entre empresas e os atores do ecossistema.
 
Neste novo mundo, é necessário ter conhecimento digital e de plataformas online. As plataformas ajudam as empresas a prospectarem as principais tecnologias disponíveis no mundo e auxiliam outros atores a se conectarem, se comunicarem e trabalharem junto com a sua rede, possibilitando a criação de uma ampla gama de novos serviços e produtos que podem gerar recursos para as empresas. Para Piqué, o momento atual constitui uma “tempestade perfeita” para ferramentas colaborativas e para o desenvolvimento de inovação.

De acordo com pesquisa do Boston Consulting Group, dentre as empresas mais inovadoras do mundo pelo ranking BCG Global Innovation Survey, várias utilizam plataformas para obter acesso a diferentes recursos. As plataformas permitem o desenvolvimento novos modelos de negócios, produtos ou serviços. Diferentes plataformas e ferramentas de colaboração e troca entre atores podem apresentar uma série de oportunidades para as empresas no momento atual. Recentemente, a CNI lançou uma parceria com o SOSA, principal plataforma global de inovação, que conecta empresas, governos e cidades a tecnologias e ecossistemas inovadores. Na plataforma, há mais de 15 mil startups e 250 multinacionais cadastradas. Em resumo, há vários tipos de plataformas – de computação, tecnologia, serviço, conteúdo, mercado -, mas todas têm propósito semelhante: permitir aos usuários combinarem oferta e demanda em um ambiente online, de fácil acesso, com serviços e produtos de qualidade. Além disso, as plataformas facilitam a colaboração e o desenvolvimento de novas ideias. 

As novas condições impostas pela pandemia do novo coronavírus trazem a urgência das empresas cooperarem e interagirem com outros atores. De acordo com Francisco Saboya, as crises são momentos muito dolorosos, que nos desafiam a enfrentá-las com flexibilidade, adaptação e coragem. Nesse contexto, empresas precisam compartilhar conhecimento e desenvolver novas formas de aprendizado coletivo, as quais devem se dar em acréscimo aos processos de aprendizado tradicionais. Essa postura pode ser interpretada como uma rotina que as empresas integram aos seus padrões atuais de comportamento. A pandemia do novo coronavírus trouxe o futuro para o presente, catalisando mudanças que já vinham acontecendo e acelerando diversas transformações.
 

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