Inovação na saúde

Especialistas debateram as principais tendências de inovação no setor da saúde

em 09/10/2019

A sexta edição da série “Diálogos da Inovação”, parceria da Casa Firjan com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), debateu as principais tendências de inovação no setor da saúde, contribuindo para tratamentos mais eficientes, geração de empregos e empresas mais competitivas. O evento aconteceu em 25/09.

De acordo com Ariel Dascal, diretor de Transformação Digital da Rede D'Or São Luiz, o setor sofre pressões por mudanças, oriundas, por exemplo, da alteração das expectativas do paciente, por conta do envelhecimento e da experiência digital. “As pessoas estão vivendo mais e isso é bom, mas traz desafios. Hoje, temos 29 milhões de brasileiros com mais de 60 anos. Em 2030, serão mais de 42 milhões. Logo, temos que nos preocupar, cada vez mais, com prevenção e gestão da saúde”, explicou.

Outros pontos de pressão são a crescente demanda por mudanças nos modelos de pagamentos de serviços em saúde e as novas tecnologias, que propiciaram o desenvolvimento de “healthtechs”, atuando em toda a cadeia de valor. “Desse modo, o foco da transformação digital deve ser promover boas experiências para o paciente – que agora é um agente da sua própria saúde; estimular a personalização do atendimento médico; digitalizar os procedimentos dos hospitais; bem como enfatizar a prevenção, não só o tratamento”, argumentou Dascal.

No caminho da transformação digital, uma das ações da Rede D’Or foi o lançamento do Open D’Or Healthcare Innovation Hub, uma plataforma para conectar startups inovadoras com os atores do ecossistema, setor corporativo, investidores e o meio acadêmico.

Inovação

Segundo a médica Renata Aranha, cofundadora da Atol e da Entropia, um dos problemas do modelo de negócios da saúde é ser baseado na doença. “Esse modelo é insustentável. É preciso alinhar para onde cada segmento da cadeia puxa, e essa direção deve ser para a saúde, para a prevenção e por pagar por hábitos saudáveis, em vez de focar em tratamento, diagnóstico e pagar por serviço”, argumentou ela, que é pós-doutora em educação, doutora em saúde pública e mestre em epidemiologia.

A tecnologia é a maior aliada, pois coloca o indivíduo no centro de um novo modelo de saúde. “O monitoramento da saúde por meio de relógios, por exemplo, abre muitas oportunidades. Além da própria pessoa entender como ela se porta e ter seu histórico registrado, é possível compartilhar esses dados com profissionais da saúde, familiares e outros pacientes”, informou. De acordo com ela, esses dados, distribuídos de forma anônima, podem ainda ajudar o coletivo, sendo utilizados pelo governo, indústria farmacêutica e em campanhas de pesquisa com foco na prevenção. Um dos caminhos envolve a adaptação dos planos de saúde para cobrarem mais barato de quem tem hábitos saudáveis. “Entendendo o valor dos nossos dados, podemos mudar esse sistema”, ponderou.

Para Claudio Tangari, vice-presidente da Firjan, iniciativas como essa devem ser estimuladas. “Exemplos como esse são os que devem ser estimulados, pois ajudam a atrair olhares positivos para o Rio, por sua inovação focada no bem-estar das pessoas. É fantástico”, disse Tangari, que também é vice-presidente da Firjan.

Público e privado

Para Carlos Gadelha, coordenador das Ações de Prospecção da Fiocruz, o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) deve passar por ação conjunta do público com o privado. “Não dá para articular ciência sem produção; serviço sem indústria; estado sem mercado; inovação sem acesso. Público e privado são complementares e essa ligação deve ser incentivada”, afirmou.

Além disso, Gadelha reforçou o papel da saúde como qualidade de vida, direito e condição de cidadania, sendo fator estruturante do Estado de bem-estar social. “É um indutor de desenvolvimento econômico também, já que é uma das áreas mais dinâmicas na sociedade da informação, do conhecimento e da inovação”, pontuou. De acordo com ele, a demanda nacional em saúde corresponde a 9% do PIB. O setor emprega 20 milhões de trabalhadores diretos e indiretos e responde por 10% dos profissionais qualificados do país.

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