Pensar Portugal em 2030

Painel recebeu Manuel Heitor, ministro de Tecnologia, Ciência e Ensino Superior de Portugal

em 09/10/2019

Investir em tecnologia e ciência é um esforço que vale a pena. Esta é a experiência de Portugal, cuja despesa global pública e privada em pesquisa e desenvolvimento (P&D) chegou a 1,33% do PIB em 2018. Esse investimento crescente fez com que o país acumulasse casos de sucesso na área de inovação. Ele tem hoje, por exemplo, o recorde mundial de número de dias consecutivamente alimentados por fontes de energia renováveis. Foram três dias, no ano passado, e, este ano, deve atingir a marca de quatro. Como isso aconteceu? 

Segundo Manuel Heitor, ministro de Tecnologia, Ciência e Ensino Superior de Portugal, o diferencial é a qualificação de seus profissionais, alcançada por meio do investimento estratégico em educação realizado nos últimos anos. Heitor participou, em 09/08, de mais uma edição dos Diálogos da Inovação, na Casa Firjan, com a palestra “Desafios e Oportunidades do Conhecimento: Pensar Portugal em 2030, após 4 Anos de Convergência Europeia”.

Líder na União Europeia (UE) na área das pequenas e médias empresas (PME) inovadoras, de acordo com dados recentes da Comissão Europeia, Portugal tem se consolidado como um hub de inovação por conta de seu ambiente favorável e sistema atrativo de P&D. “O nosso desenvolvimento e a gestão de nossas políticas de inovação e ciência têm focado em como as pessoas, as instituições e os incentivos podem ser efetivamente orientados, transmitidos e assimilados para melhor conectar cientistas, empresas e policy makers, garantindo que as sociedades evoluam de modo socialmente responsável, sustentável e empreendedor”, analisou Heitor.

Nos últimos quatro anos, Portugal criou mais 400 mil empregos. Desse total, cerca de 200 mil foram para pessoas com ensino superior, que ganham hoje o dobro do que aqueles que não possuem formação. “A ideia crucial é de que a educação é um esforço que compensa. A evolução crescente da criação de mais e melhores empregos é uma questão fundamental para as ações de políticas públicas e de ciências”, frisou.  

Investimento público e privado

Uma dessas ações foi a iniciativa Portugal INCoDe.2030, que tem como objetivo o desenvolvimento de competências digitais como instrumento para a preparação de profissionais orientados a novas e mais qualificadas oportunidades de emprego. “O que fizemos foi criar uma estratégia científica associada a um esforço de inovação, em que aumentamos as despesas públicas em P&D e, sobretudo, as privadas. E esse é um processo que depende de pessoas. Sem a qualificação exaustiva e massificada de pessoas não é possível aumentar essa despesa por parte das empresas, que dependem da criação de mais e melhores empregos”, explicou Heitor.

E onde o país quer estar em 2030? Portugal quer alcançar ainda um investimento global em P&D de 3% do PIB, com uma parcela relativa de 1/3 de despesa pública e 2/3 de despesa privada. O objetivo implica o esforço coletivo de aumentar 3,5 vezes o investimento privado, juntamente com a criação de cerca de 25 mil novos empregos qualificados no setor.

Para Heitor, algumas lições se sobressaem. “Primeiro de tudo, temos que focar na centralidade das pessoas, qualificando-as, promovendo o desenvolvimento de suas competências e democratizando o acesso ao conhecimento. Além disso, é fundamental diversificar as instituições, estimulando uma visão holística de P&D e da inovação. E, obviamente, temos que seguir aumentando as despesas pública e privada”, finalizou. 

Presente no evento, Carlos Fernando Gross, vice-presidente da Firjan, ressaltou a parceria entre Brasil e Portugal. “A Firjan reconhece a importância da tecnologia e da ciência no fortalecimento da economia do estado e do país. Portugal é um parceiro ativo e de longa data que tem muito a contribuir para a construção de um ambiente inovador, através do intercâmbio de suas experiências”, disse.

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