Adaptabilidade é fundamental para profissionais 50+

Em entrevista, Mórris Litvak, CEO da Maturi, fala sobre diversidade geracional no mercado de trabalho

em 15/09/2020

Adaptabilidade é fundamental para profissionais 50+ Foto: Vinícius Magalhães

“A diversidade só será completa nas organizações se ela também for geracional”, afirma Mórris Litvak, CEO da Maturi, plataforma digital que reúne oportunidades de trabalho e capacitação para profissionais maduros, os chamados 50+. Em entrevista à Casa Firjan, Litvak trata da importância da adaptabilidade tanto no contexto das empresas, que devem estar atentas ao acelerado envelhecimento da população brasileira, quanto na capacitação desses profissionais, que precisam enxergar na tecnologia uma grande aliada.

Leia a entrevista!

Pesquisas desenvolvidas durante a pandemia da Covid-19 apontaram que pessoas com mais de 50 anos se adaptaram mais facilmente ao home office, principalmente se comparadas aos jovens, que sentiram mais a falta de interação com outras pessoas. O que você acha que pode ter contribuído para essa adaptação?

Acredito que havia uma percepção errônea de que os 50+ não utilizavam tecnologia ou não estavam conectados, e agora ficou claro que isso era um mito. Claro que existem pessoas nessa faixa etária que têm mais dificuldade com tecnologia, mas boa parte delas se jogou no mundo digital agora, com medo ou não, pois não há outra opção, e perceberam que podem aprender e usar as ferramentas e aplicativos, já que a interação social é fundamental para esse público, assim como o interesse por novos aprendizados.

Como o público acima de 50 anos deve se adaptar às novas exigências do mercado de trabalho? Quais são os maiores desafios?

Com atualização e humildade, pois é preciso desaprender para reaprender novas habilidades, tanto técnicas, principalmente tecnológicas, quanto comportamentais, no sentido de estar aberto para uma dinâmica de trabalho mais colaborativa, horizontal e diversa. A humildade também é importante para aprender com os jovens e até ser gerido por eles. Também é desafiador buscar novos horizontes profissionais, mudar de profissão, recomeçar ou trabalhar por conta própria, mas tudo isso será cada vez mais comum, por isso a adaptabilidade é fundamental.

Como lidar com as diferenças geracional nas empresas?

Começando com a conscientização. Desde palestras de sensibilização sobre o assunto a workshops e debates sobre preconceito etário, longevidade, diversidade e inclusão, com gestores e depois com toda a equipe. Algumas pessoas têm preconceito, tanto jovens como maduros e, entre essas, o diálogo é mais complicado. Pensando nisso, o ideal seria procurar avaliar o grau de preconceito existente, para “conhecer o terreno” antes de definir a estratégia, pois quanto maior o grau de preconceito, mais profundo e recorrente o trabalho deve ser.

É preciso desaprender para reaprender novas habilidades, tanto técnicas, principalmente tecnológicas, quanto comportamentais, no sentido de estar aberto para uma dinâmica de trabalho mais colaborativa, horizontal e diversa.

O público 50+ vê queda em ofertas de emprego no contexto pós-pandemia. Como que as empresas e os profissionais podem lidar com isso?

Primeiro desmistificando que qualquer pessoa acima de 50 ou 60 anos é grupo de risco. O grupo de risco no Brasil está mais vinculado ao acesso a condições sanitárias decentes e a atendimento de saúde de qualidade, além do comportamento de risco ou não. Ou seja, não é a idade que define o grupo de risco. São diversos fatores, além da condição de saúde da pessoa.

Mesmo assim, temos visto esse movimento com grande preocupação indicando as empresas a olharem além do fator idade e entenderem a importância social e estratégica da diversidade etária, além do envelhecimento populacional, que continua acelerado no Brasil. Atualmente o trabalho remoto pode ser uma ótima oportunidade para a inclusão dos profissionais maduros que, por sua vez, precisam estar conectados e atualizados tecnologicamente, preparados para trabalhar de casa. Habilidades digitais e ferramentas tecnológicas são conhecimentos cada vez mais necessários no mercado de trabalho.

Como se capacitar para atingir para essa realidade?

Fazendo cursos, buscando conteúdo de qualidade na internet, conversando com os jovens, testando e vencendo o medo da tecnologia, que precisa ser vista como uma aliada e não como barreira. É preciso entender que ela abre muitas portas e a falta dessa atualização significa perder oportunidades.

Com o envelhecimento da população brasileira sendo uma realidade nos próximos anos, como as empresas podem se adaptar de forma estratégica?

As empresas precisam urgentemente entender a importância e a velocidade do envelhecimento populacional no mundo e, principalmente, no Brasil, onde esse fenômeno – a revolução da longevidade – está acontecendo ainda mais rapidamente. Em função do aumento da expectativa de vida e baixa das taxas de natalidade, a pirâmide etária está rapidamente se invertendo no país e, portanto, o público consumidor será cada vez mais maduro, assim como a força de trabalho. Atualmente são mais de 54 milhões de brasileiros acima de 50 anos segundo o IBGE e, em 2040, segundo estudo da PwC e da FGV, 57% da força de trabalho do país terá 45 anos ou mais. Além disso, a diversidade só será completa nas organizações se ela também for geracional, trazendo uma visão diferenciada, o que contribuiu para a inovação.

Assista ao Aquário Casa Firjan Economia da Longevidade: Como preparar o mercado para uma população cada vez mais madura

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