Aquário discute a saúde emocional durante o confinamento

Especialistas apresentaram desafios e soluções

16/04/2020

Aquário discute a saúde emocional durante o confinamento

Ansiedade, depressão e estresse são transtornos psicológicos que afetam cada vez mais a população. Com a pandemia do novo coronavírus, o problema tende a se intensificar, trazendo grandes desafios à saúde mental e, consequentemente, à produtividade das empresas. Para debater o tema, a Casa Firjan promoveu, na terça-feira (14/04), mais uma transmissão ao vivo do Aquário, com a palestra “Covid-19: Saúde emocional em tempos de confinamento e incertezas”.

Louise Quintella, psicóloga cognitivo-comportamental, alertou para o aumento da incidência da Síndrome de Burnout – esgotamento físico e mental geralmente associado ao excesso de trabalho. “É mais difícil estabelecer limites no home office, porque estamos sempre no mesmo ambiente. É preciso ter hora para comer, descansar e terminar o trabalho, caso contrário sairemos dessa pandemia ainda mais ansiosos. É uma questão de assumir um compromisso com si mesmo, respeitando as próprias emoções e limitações”, frisou. 

Especialista em Segurança Psicológica, Hannah Chamon, consultora de Cultura Organizacional, discutiu como o conceito age nesse momento de medo coletivo. “A segurança psicológica tem como intuito a construção de ambientes corporativos, onde as pessoas se sintam seguras para interagir e performar, sem medo de críticas e julgamentos severos. No contexto atual, essa construção tem que se dar pela base, cuidando da saúde mental de todos e trabalhando a comunicação empática, transparente e clara para diminuir o clima de insegurança e incerteza”, analisou.

Mindfulness
Para enfrentar o momento de instabilidade emocional, Fabiana Garcia, fundadora do Parceria Humana Studio e instrutora de mindfulness da Casa Firjan, falou sobre a importância desta prática, cujo objetivo envolve treinar a qualidade da atenção, de modo a trazer a mente para o presente. “Estamos lidando com emoções muito intensas, como raiva, incerteza e surpresas que nos tomam de assalto o tempo todo. O coronavírus foi um grande gatilho e, diante dele, é fundamental cultivarmos o equilíbrio emocional. O mindfulness não faz milagres, mas pode nos ajudar a lidar de forma mais positiva e assertiva com os desafios”, destacou. 

Fabiana enfatizou, no entanto, que o treino precisa ser regular para surtir efeito. “É como ir à academia. Nesse caso, porém, estamos malhando a mente. As pessoas podem começar aos poucos, inserindo pequenas pausas no dia a dia durante o trabalho remoto, aliando a isso uma alimentação saudável e exercício físico. O resultado é o acolhimento de nossas emoções”. 

Caroline de Moraes, psicoterapeuta cofundadora do Centro de Estudos de Felicidade do Canadá, focou no desafio de aumentar a sensação de alegria no confinamento. “A felicidade não tem uma receita; ela depende do equilíbrio de uma série de elementos. Hoje estamos lidando com perdas e vivenciando o desequilíbrio de nossas rotinas de trabalho e de vida. O que podemos fazer para nos ajudar é reinventar nosso plano de autocuidado, redescobrindo formas de trabalharmos nossa saúde mental em casa”, ressaltou.

Ela pondera que é importante saber identificar as próprias emoções e não fugir delas. “Precisamos expressar essas emoções de forma produtiva, seja escrevendo sobre elas ou conversando a esse respeito com amigos e colaboradores de trabalho”.