Criatividade e produtividade no home office dependem de cooperação da cultura organizacional

Especialistas abordaram estratégias para impulsionar o trabalho em casa e reforçaram o cuidado dos gestores com as equipes

17/06/2020

Criatividade e produtividade no home office dependem de cooperação da cultura organizacional

O trabalho remoto se tornou, abruptamente, regra para boa parte dos profissionais durante a pandemia. Mas manter a criatividade e a produtividade num home office, que entrelaça vida profissional e pessoal, depende de colaboração, cooperação e rituais, de acordo com especialistas. O tema “O futuro do trabalho é remoto? Como impulsionar a criatividade e produtividade no home office” foi debatido, nesta terça-feira (16/06), no Aquário Casa Firjan. 

Um estudo, realizado em maio pela Consumoteca, aponta que a pandemia impôs o teletrabalho como realidade para 44% dos brasileiros. Deste percentual, 27% acham que continuarão remotamente, mesmo após a crise. Marina Roale, Head de pesquisa da Consumoteca, pondera que o estudo traça o perfil das classes A, B e C e é uma opção que envolve privilégio. 

De acordo com Marina, há duas variáveis para que uma pessoa tenha produtividade e goste dessa dinâmica: confiança e comunicação eficaz. “Uma boa comunicação é muito importante nesse modo de atuação, ainda mais agora na pandemia, onde trabalho se mistura com casa e família. A chance de dar ruído é muito maior. Outro ponto é o entendimento de limite por parte da organização”, explicou. 

Experiência prática nas empresas

A GSK Brasil já praticava o home office, mas não massivo. De acordo com Andressa Tomasulo, gerente sênior de Recursos Humanos, a empresa já repensa a quantidade de assentos no escritório, para permitir espaços mais amplos e interativos. “Falar em home office é falar em gestão, com empoderamento da equipe, empatia, cuidado com os colaboradores, confiança. E neste momento de pandemia, em que não se trata de um home office normal, revisar acordos e priorizar objetivos para melhorar a performance são essenciais. Não adianta cobrar resultados da mesma maneira”, disse Andressa. 

Segundo Marc Tawil, LinkedIn Top Voices, podcaster Jovem Pan e colunista da Época Negócios, existe um conceito muito difuso do que é home office. “Na minha casa eu chamo de ‘hell office’, porque os afazeres estão atropelados. Trabalhar mais não é produzir, ainda mais se tiver um chefe tirano ou não tiver disciplina. Produtividade correta é a que serve para você. É preciso cooperação e empatia com quem está no time. Os gestores que não perceberem isso vão perder talentos”, pontuou Tawil, que destacou que um gestor deve delegar funções, trabalhar por demanda, estar presente e liderar pelo exemplo.

Criatividade

De acordo com Léo Correa, professor do curso Criatividade Aplicada da Casa Firjan, as pessoas mais criativas são menos competitivas, mais colaborativas e mais abertas a coisas novas e tolerantes a riscos. “Entender o momento de procrastinação é o primeiro passo para dar o click na criatividade. Depois é furar essa bolha, sair da apatia. Crie uma rede apoio e de relacionamento para que surjam oportunidades de furar a bolha, sem ser sofrido”, pontuou Correa.

Conheça sete dicas dos especialistas para ser mais produtivo e criativo

1.    Crie rituais, como no final do dia ‘ticar’ uma listinha “to do”. 
2.    Traga um pouco do analógico para o ambiente de trabalho: ter espaço para rabiscar, fazer anotações em post it, para não ficar apenas na tela, e, assim, modificar a dinâmica do trabalho. 
3.    Criatividade se alimenta de movimento e de mudança, de diferentes estados mentais para fluir e oxigenar uma ideia. Tente gerar movimento, utilizando espaços diferentes para cada afazer. 
4.    Entre em contato com conteúdos diferentes, além do consumo passivo de leitura, filmes, documentários, mas também trazer hobbie, com perspectiva de construção de algo diferente para ajudar na criatividade. 
5.    Reveja as suas escolhas.
6.    Defina metas, da micro para macro. 
7.    Tente acordar um novo formato de produção com a empresa, com um melhor horário de trabalho e pausa mais longa de almoço, por exemplo.