Como enxergar o que vem depois: a conexão que está transformando empresas inovadoras

Como o diálogo com pesquisadores expande a visão de futuro e transforma a gestão das organizações

em 17/09/2026

Como enxergar o que vem depois: a conexão que está transformando empresas inovadoras

Você sente que as tecnologias estão evoluindo mais rápido do que a capacidade das empresas de acompanhá-las? Mesmo empresas bem sucedidas enfrentam dificuldade para enxergar o que vem depois. Não importa o setor ou o porte da empresa, todo negócio é afetado em alguma medida pelas inovações tecnológicas. Mas, como não deixar que a sua empresa fique para trás?

Dentro do que entendo como ecossistemas de inovação – conjunto de organizações que atuam para incentivar e promover o desenvolvimento de inovações em um determinado território – instituições de ciência, tecnologia e inovação (ICTs) como universidades e centros de pesquisa costumam olhar para horizontes mais longos e podem ser importantes aliadas das empresas tanto para parcerias mais estruturadas de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) quanto como ambientes inspiradores capazes de gerar poderosos insights para o negócio.

A conexão entre empresas e ICTs ainda não é algo tão difundido, quanto eu gostaria, sobretudo no caso das empresas de menor porte. Segundo dados da última PINTEC, principal estudo sobre inovação nas empresas realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2017, apenas 8,1% das empresas consideradas inovadoras realizaram alguma parceria de PD&I com universidades. Outro levantamento mais recente realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e divulgado pela reconhecida revista Science and Public Policy em 2024, indica que de 240 laboratórios de universidades públicas do estado, apenas 18,1% apresentam alto engajamento com empresas.

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Os desafios para essas interações mais formais ainda são muitos e vão desde questões relacionadas à propriedade intelectual, passando por captação de recursos e até a identificação de possíveis soluções para as demandas da empresa. Por outro lado, há formas mais simples de se conectar com esses ambientes, interagir com pesquisadores e estudantes, especialmente os de pós-graduação, que estão desenvolvendo pesquisas de mestrado, doutorado ou mesmo pós-doutorado sobre assuntos que podem vir a ser a próxima revolução tecnológica. Grandes ecossistemas de inovação como o Vale do Silício e Israel, se constituíram por meio da interação e colaboração entre empresas e ICTs, entre outros atores do ecossistema.

Meet Ups, visitas guiadas e eventos abertos promovidos pelas agências de inovação das universidades ou outros agentes são uma excelente forma de conhecer de perto esses ambientes e fazer contato com pesquisadores e estudantes ou mesmo ter a possibilidade de ver in loco laboratórios, experimentos e aplicações tecnológicas reais.

O contrário também tem potencial. Abrir as portas da empresa para visitas técnicas de grupos de estudantes e pesquisadores de ICTs pode ser uma maneira de gerar novas ideias. Foi o que fez o Seu Rodolfo da Arte Cerâmica Sardinha em Campos dos Goitacazes – essa história foi publicada na série de Cases de Inovação na Indústria Fluminense produzidos pela Firjan IEL. Após receber a visita de estudantes do Instituto Federal Fluminense, importante ICT da região, uma das pesquisadoras teve um insight ao observar o funcionamento do forno. A ideia virou solução e gerou cerca de R$500 mil em economia para a empresa naquele ano.

Em minha análise, vivenciar essas experiências aumenta o repertório cognitivo da liderança auxiliando em processos decisórios em ambientes de incerteza como os que vivenciamos hoje, além dos benefícios práticos que podem surgir, como vimos no caso do Seu Rodolfo. Estar conectado com pessoas desses ambientes proporciona novos olhos para o próprio negócio e esse é o ingrediente fundamental para construir uma visão de futuro que o posicione a frente em seu mercado.


*Por Marcos André Farias de Oliveira, Especialista em Projetos Especiais da Firjan IEL


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