Sua empresa precisa de Inteligência Artificial ou de processos mais inteligentes?

Diagnóstico de processos e clareza sobre os objetivos são essenciais para transformar a IA em resultados para os negócios

em 24/09/2026

Sua empresa precisa de Inteligência Artificial ou de processos mais inteligentes?

A inteligência artificial gera valor quando deixa de ser tratada apenas como uma ferramenta e passa a responder a problemas concretos do negócio. O ponto de partida não deve ser a escolha de uma plataforma, mas a definição da decisão que precisa ser aprimorada, dos dados que irão sustentá-la, dos limites que devem ser respeitados e dos critérios utilizados para validar os resultados. Interagir de forma eficiente com a IA exige contexto, objetivos claros, parâmetros de qualidade e revisão humana.

Por isso, toda implementação consistente começa pelo diagnóstico. Antes de automatizar uma atividade é necessário mapear processos, identificar atrasos, retrabalhos, desperdícios, tarefas repetitivas e decisões tomadas sem informações suficientes. Cada oportunidade deve ser analisada considerando impacto, viabilidade técnica, riscos, esforço de implementação e tempo de retorno. O cálculo do ROI deve relacionar o investimento realizado às horas economizadas, à redução de erros, ao aumento da produtividade, à geração de receitas e aos custos de manutenção da solução.

Empresas brasileiras já demonstram resultados mensuráveis. O Itaú reduziu o tempo de implantação de modelos de machine learning, antes estimado em até seis meses, para um período entre três e cinco dias. No Grupo Elfa, a utilização de IA generativa reduziu o processamento de cotações de aproximadamente 40 minutos para dois ou três minutos, além de contribuir para a geração de mais de R$ 100 milhões em novas receitas durante oito meses.

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Essa perspectiva foi construída na prática. Apliquei inteligência artificial em processos da Diretoria de Empreendedorismo da Subsecretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo e acompanhei mais de 200 startups deeptechs em programas de aceleração tecnológica desenvolvidos com o IPT e o Sebrae-SP, acelerando processos e gerando valor para negócios.

O que mais observei nessas duas experiências foi que os projetos mais bem-sucedidos não começaram pela escolha da ferramenta, mas pela capacidade das organizações de estruturar seus processos, organizar seus dados e estabelecer objetivos claros. Nesses casos, a IA atuou como um acelerador da tomada de decisão e do desenvolvimento de novas soluções.

Nas imersões promovidas pela Firjan IEL em Duque de Caxias e Três Rios, também apresentei aplicações de IA voltadas à gestão empresarial e dialoguei com empresários e gestores sobre um princípio fundamental: nem sempre uma ferramenta de inteligência artificial é a solução.

Em diferentes empresas, setores e níveis de maturidade, a principal lição permanece a mesma: antes de pensar na IA, é preciso compreender o problema.

Quando a implementação parte desse princípio, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma experimentação pontual e passa a gerar resultados responsáveis, sustentáveis e mensuráveis.
 

Por Lucas de Oliveira Lima, Especialista de Conteúdo e Inovação Empresarial da Firjan IEL

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