Uma fábrica inteligente começa pelas pessoas

Preparar profissionais para usar dados e tecnologia é decisivo para aumentar a produtividade na indústria

em 29/09/2026

Uma fábrica inteligente começa pelas pessoas

Ao longo do tempo, trabalhando na elaboração de projetos com pequenas e médias empresas de diversos segmentos pela Firjan IEL e acompanhando de perto a indústria fluminense, uma constatação se repete. Para muitas empresas, o maior desafio da manufatura em ganhos de produtividade não é sobre “comprar tecnologias”. É sobre preparar pessoas para usá-las de forma efetiva e gerar resultados.

Essa percepção ganhou ainda mais força durante minha recente participação no Fórum Nacional Lean 2026, em São Paulo. Entre debates sobre aplicações lean, smart factories, dados e inteligência artificial, uma mensagem se destacou para mim, “a indústria do futuro não será necessariamente aquela com mais tecnologia, mas aquela que melhor conseguir combinar tecnologia, conhecimento e pessoas...”.

Essa reflexão é relevante para indústrias de diversos portes. Ainda existe uma tendência de acreditar que transformação digital começa pela compra de uma tecnologia pela euforia diante das novidades. Na prática, ela deveria começar pela compreensão do problema. O Lean nos ensina justamente a observar o processo, compreender o fluxo, identificar desperdícios, ouvir quem executa o trabalho e, então, decidir onde temos oportunidades de melhoria e em que a tecnologia se faz sentido para gerar valor.

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A IA amplia esse potencial, mas também aumenta a necessidade de desenvolver novas competências. E ainda tem o desafio de transformar experiências pontuais em soluções escaláveis, ao fazer o conhecimento gerado circular pela empresa. A tecnologia pode acelerar a análise, mas a decisão, a mudança de comportamento e a melhoria continuam dependendo das pessoas

Minha principal reflexão sobre fábricas inteligentes, significa ter uma fábrica em que pessoas mais preparadas conseguem tomar decisões melhores, apoiadas por dados e tecnologia. Para a indústria fluminense, especialmente para as empresas que ainda estão estruturando sua jornada de produtividade e transformação digital, talvez o caminho não seja tentar reproduzir o modelo de uma grande multinacional, mas observar melhor suas necessidades internas, as características do negócio e realidade de seus processos. Pela filosofia, entendemos que o verdadeiro aprendizado do Lean é outro: “Compreender os princípios, adaptar suas condições reais da empresa e desenvolver as pessoas capazes de sustentar a transformação.”

O futuro da manufatura, não será uma disputa entre pessoas, máquinas e sistemas. Será uma construção conjunta. E quanto mais inteligente for a tecnologia, mais estratégica será a capacidade humana de utilizá-la para resolver problemas, aprender continuamente e gerar valor. Talvez seja esse o caminho, adaptado à nossa realidade que deveria orientar a próxima década da indústria

Diego Gomes, especialista em Conteúdo e Inovação Empresarial Firjan IEL

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